
(foto google)
Vagalumeando
A várzea toda parece
um céu estrelado.
O sapo espreita o jantar
e o menino colhe astros.
Longe vai o dia-
Como ficam alongadas
as noites de inverno.
Lá se vão os pescadores.
Cada vez mais longe os peixes.
Janela do trem-
A aldeia ficou para trás
meu amor também.
Mas, duas coisas me seguem.
O perfume dela e a lua.
Cruzando o canal
segue lento o Ferry-boat-
Meu amor me espera.
Antes de a barca atracar
já estou nos braços dela.
Nesta noite fria
a neve se agarra aos galhos
e eu às cobertas.
Já o meu coração solito
se agarra à saudade dela.
Fim da tempestade-
A pipa presa no fio
agora despida.
Balança o seu esqueleto
sem o afeto do menino.
Amanhece o dia-
o gramado do jardim
igual meus cabelos.
A vila parece inóspita.
Geou nesta madrugada.
Domingo de Ramos-
Entre palmas e alecrins
um congraçamento.
Até o bebê de colo
acena com um raminho.
Ao me barbear
o espelho reflete um rosto
muito familiar.
Alguém que partiu há muito.
O rosto do meu pai.
Boneco de vento
no posto de gasolina-
assusta a menina.
Mas o que assusta o seu pai
é o preço do combustível.
A ventania
repentinamente leva
uma poesia.
Com a janela escancarada
uma poetisa escrevia.
Pendão solitário-
Em pleno vento de inverno
a dança do capim.
um homem entre as mulheres
Junto às flores do jardim.
Brinco-de-princesa-
Uma tiara de flores
Ainda orvalhada.
Ornaria teus cabelos
se tu fosses minha amada.
Ah! bicho-da-seda
Peço-te agora perdão
pelo teu fim trágico.
Mas a seda que teci
Tingirei de primavera.
Ah! bicho-da-seda
Peço-te agora perdão
pelo teu fim trágico.
Mas a seda que teci
Tingirei de primavera.
Noites de verão-
No ar um cheiro de murta
Longe, um cão latindo.
Tudo lembrando meu velho
Debruçado na janela.
No ar um cheiro de murta
Longe, um cão latindo.
Tudo lembrando meu velho
Debruçado na janela.
Sobem os
salmões-
É tempo
da desova
Derradeiros
dias.
Desce o velho à sepultura.
Jornada também finita.
1º de
maio-
No madeirame
da fábrica
Trabalha
a andorinha-
Cata aqui, cata acolá
E o seu ninho vai formando.
Em meio
às roupas
Estendidas
no varal
Boneca
de pano.
Nem a esfrega e o sabão
Tiram lembranças passadas.
Na
tardinha quente
Luta
inglória contra o vidro
Moscas na
janela.
Quem está fora quer entrar
Quem está dentro quer
sair.
Um som
de lamento
Ecoa em
meio a neblina-
Um carro
de boi
Pisoteando o mesmo sulco
Entoando o mesmo canto.
Noite
congelante-
Ao
mijar, tremendo susto
Quase
não encontro
Aquele bom penico
Que esquecera onde guardei.
De José Alberto Lopes®
jun.2017
jun.2017


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